Tratamento de Cicatriz

As cicatrizes resultantes de cirurgia plástica são planejadas para ficarem disfarçadas e costuma passar por vários períodos de evolução.

Certas pacientes, em decorrência do tipo de pele, podem apresentar tendência maior a cicatrizes hipertróficas ou à formação de quelóide. Normalmente, essa tendência pode ser prevista durante a consulta inicial, pelo levantamento da vida pregressa da paciente e de suas características familiares. O importante é não confundir o período de cicatrização com complicação cicatricial.

Quelóides e cicatrizes hipertróficas são distúrbios cicatriciais caracterizados pelo aumento na deposição de colágeno. As modalidades terapêuticas existentes são inespecíficas em razão do pouco conhecimento da patogênese da doença.

 

Período Inicial – Primeiro mês

A cicatriz apresenta aspecto excelente e pouco visível. Alguns casos apresentam discreta reação aos pontos ou ao curativo.

 

Período Intermediário – Primeiro mês ao primeiro ano

Neste período haverá espessamento natural da cicatriz, bem como mudança na tonalidade da cor, passando de “vermelho” para o “marrom”, que vai, aos poucos, clareando. Este período, o menos favorável da evolução cicatricial, é o que mais preocupa as pacientes. Como não é possível apressar o processo natural da cicatrização, é recomendado manter a calma. Vários tratamentos podem ser realizados para melhorar o aspecto das cicatrizes, como uso de gel de silicone, placas de silicone, corticóides tópicos e infiltrações de corticóide na própria cicatriz, assim como a aplicação de laser.

 

Período Tardio – Primeiro ano a um ano e meio

Neste período, a cicatriz começa a se tornar mais clara e menos consistente, atingindo assim o seu aspecto definitivo. Qualquer avaliação do resultado definitivo deve ser feita após este período.

As cicatrizes inestéticas, hipertróficas e queloideanas são passíveis de futuras revisões cirúrgicas, caso venha a ser necessário. Isto acontece em decorrência de anomalias na evolução cicatricial que podem ocorrer em certas pacientes por causas genéticas ou mesmo inflamações.

 

Tratamentos


Quelóide – 

A retirada cirúrgica da lesão como método isolado de tratamento do quelóide já se mostrou ineficaz. A ressecção, sem outra associação terapêutica, apresenta um índice de retorno (recidiva, recorrência ou reincidência) da lesão, que varia de 45% a 100%, que é considerado alto. Atualmente, a melhor opção de tratamento é associar a betaterapia (irradiação na nova cicatriz por meio de uma placa contendo o átomo radioativo do estrôncio) à operação. A aplicação de betaterapia deve ser iniciada após 24 a 48 horas da operação, e tem intuito de atenuar a formação de fibras colágenas; entretanto, o sucesso dessa associação, em termos de retorno do quelóide, também ainda é bastante relativo.

O quelóide está em fase de atividade clínica quando se apresenta avermelhado, com coceira (prurido) e/ou dor, o que coincide com o mesmo estar, simultaneamente, em crescimento.Quando se opera um quelóideé preciso retirar completamente o mesmo, sem deixar tecido esbranquiçado (fibroso) nas margens ou profundidade (figura 3 e 4); explica-se pelo fato do quelóide ser considerado um tumor (neoplasia) benigno de cicatriz cutânea e, assim sendo, deixar um pouco de tecido tumoral predispõe ao retorno de toda a lesão.

Em relação ao prognóstico (previsão do resultado do tratamento), a recorrência quando ocorre é, geralmente, até um ano. Por isso, vários pesquisadores preferem esperar três anos ou mais antes de considerar que a operação foi definitivamente curativa.

 

Cicatriz Hipertrófica – 

Ao contrário do quelóide, onde o tratamento cirúrgico (sempre que possível) é a opção mais indicada, nas cicatrizes hipertróficas a retirada cirúrgica não é a primeira opção. Isto porque as cicatrizes hipertróficas costumam regredir com o tempo, em grau variável. Entretanto, essas cicatrizes devem ser tratadas para que a regressão seja maior e para que se obtenha o melhor resultado estético possível.

As cicatrizes hipertróficas operadas na fase de inatividade clínica (sem vermelhidão, coceira e/ou dor importantes) também apresentam menor índice de recorrência e complicações. Por isso, é necessário que o paciente com uma cicatriz hipertrófica recente, ainda em fase de atividade clínica, aguarde alguns meses antes de submeter-se a uma possível revisão cirúrgica da cicatriz.

Com a regressão da cicatriz hipertrófica, uma quantidade considerável de pacientes pode ficar satisfeita, não precisando se submeter a outra intervenção cirúrgica. Porém, para que a cicatriz final apresente boa qualidade estética é necessário tratá-la durante esse período de espera. Para isso, existem inumeros tipos de tratamento, inclusive com auxílio de modernos recursos tecnológicos, como na eletroterapia (aplicação de correntes elétricas específicas) e laserterapia (aplicação de laser específico)

 

Tratamentos Coadjuvantes para Quelóide e Cicatrizes Hipertróficas

Farmacoterapia (remédios)

A utilização precoce de corticóide na fase inflamatória da cicatrização diminui a produção de colágeno, principal “cimento” de qualquer cicatriz, e, por apresentar ação anti-inflamatória, reduz o componente de inflamação do quelóide ou cicatriz hipertrófica. A injeção com corticóide (infiltração) diminui a espessura dessas cicatrizes, produzindo também um alívio nos sintomas, como a coceira e a dor. As complicações mais frequentes são a atrofia da derme (camada mais profunda da pele), formação de aglomerados de pequenos vasos (telangiectasias) e manchas na pele (alterações locais na pigmentação cutânea).

O corticóide mais comumente utilizado para infiltração é o acetonido de triancinolona, na dose recomendada máxima de 40mg por sessão. Na infiltração, costuma-se usar anestesia local, a fim de evitar o desconforto da dor, relativamente intensa pelo alto grau de compactação da fibrose e maior quantidade de terminações nervosas existente.

As infiltrações podem ser aplicadas a cada três ou quatro semanas, e repetidas quando necessárias. Os tecidos com fibrose mais densa necessitam, frequentemente, de mais infiltrações.

Deve-se tomar cuidado especial no sentido de evitar que o medicamento seja infiltrado na pele normal ao redor da cicatriz, sob o risco de poder causar atrofia cutânea e manchas (despigmentação), que podem durar de um a dois anos. Ainda, quando a espessura da cicatriz regredir ao nível do relevo da pele, não há necessidade de prevenir novo crescimento da cicatriz com outras infiltrações.

 

Lâminas ou placas de silicone

O uso local (tópico) de placa de silicone é uma modalidade de tratamento recentemente instituída, não invasiva e indolor, para quelóide e cicatrizes hipertróficas. Alguns fabricantes impregnam essas placas em óleo mineral para hidratar melhor a cicatriz.

Podem ser fixadas por meio de fitas adesivas ou por meio das malhas compressivas que, usualmente, também fazem parte do tratamento de quelóide ou cicatriz hipertrófica. As lâminas de silicone preferíveis são as autoadesivas O seu uso deve ser feito durante o dia, e o tempo de tratamento fica a critério médico.

O mecanismo de ação das lâminas de silicone ainda não está completamente esclarecido. Fatores como pressão, redução na disponibilidade de oxigênio, aumento da temperatura da pele, e até mesmo a ação química do silicone tem sido temas de debate sobre o mecanismo de ação dessas placas.

 

Pressoterapia (compressão da cicatriz)

Baseia-se no uso de peças de vestuário que são malhas compressivas e elásticas, cuja pressão de compressão excede a pressão capilar (microcirculação sanguínea) normal (24 mmHg). Para atingir um melhor resultado, a compressão deve ser realizada de 16 a 24 horas por dia durante pelo menos 3 a 6 meses, ou mais, conforme critério médico. Cicatrizes hipertróficas e quelóides assim tratados diminuem sua espessura e “amadurecem”, ou seja, também entram mais precocemente na fase de inatividade clínica. É necessário periodicamente ajustar a malha compressiva, ou eventualmente trocá-la por outra nova para manter a pressão recomendada.

 

Laserterapia

O uso do laser melhora a coloração da cicatriz, o que torna seus contornos menos perceptíveis.Os estudos demonstram que nenhum método isolado é satisfatório, e que a combinação de dois ou mais métodos é mais eficaz. A atividade clínica e aspecto de uma cicatriz patológica, sua localização, fator causal, tipo de pele, recursos utilizados previamente e outros detalhes irão determinar as opções mais adequadas de tratamento.

(Visited 1.160 times, 1 visits today)